quinta-feira, 19 de agosto de 2010

alma breve


... na vida há um travo de trevas
e das trevas vai irromper um trevo
com quatro folhas de trova...

lembro o calor
com que desfloraste,
o terreno fértil
dos meus sentidos.

reinvento as notas
desta pauta inacabada:
alma breve
difusa, semifusa
compassos em desacordo
de balada em tom menor.

e é nas curvas
e intervalos desse som
que me revejo:
frágil... mas inteiro.

condenado a ser livre
na busca incessante
do acorde perdido.

prisioneiro da estranha alegria
de te saber presente
música, amante primeira
terna e eterna companheira
de todas as horas...
segredos
e silêncios.

se um dia te fores,
quem será o último a apagar a luz?